Sábado, 11 de Julho de 2009

A EDUCAÇÃO MUDARÁ COM O FUNDEB?

A educação contém
Uma infinita mazela
Os objetivos dela
Se perdem pelo além
Culpados tem mais de cem
Milhares a reclamar
Poucos para ajudar
Quando a crise aumenta mais
Será que o FUNDEB faz
A educação mudar?

Depois da aprovação
Veio o FUNDEB atrair
Mais verbas para investir
Na base da educação
Mais cursos de formação
Para o professor ficar
Mais hábil para atuar
Com uma prática eficaz
Será que o FUNDEB faz
A educação mudar?


Do ensino fundamental
FUNDEF foi carro-chefe
Nos dez anos do FUNDEF
A educação foi mal
No âmbito nacional
Pouco pôde melhorar
Mais dinheiro pra gastar
O FUNDEB agora traz
Será que o FUNDEB faz
A educação mudar?


FUNDEB banca a despesa
Do nível infantil ao médio
Mas se da crise é remédio
Não se tem muita certeza
Concebe-se que a natureza
Do programa é salutar
Mas se fica a indagar
Se bom resultado traz
Será que o FUNDEB faz
A educação mudar?


Será mesmo que teremos
Mais qualidade e ação
Com uma educação
Diferente da que temos?
E o Piso Salarial
Que não é o ideal
Faz o professor deixar
Aluno aprendendo mais?
Será que o FUNDEB faz
A educação mudar?



Autor: Zé Bezerra

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

É PRECISO SABER LER

Saber ler é necessário
Para mais conhecimento
E melhor entendimento
Do movimento diário
De cada noticiário
Para ouvir ou para ver
Interpretar e dizer
Formando opinião
Com boa compreensão
É preciso saber ler.

É preciso decifrar
Os códigos de uma linguagem
Compreender a mensagem
Para se comunicar
De tudo se informar
Com mais chance de saber
E melhor compreender
Da vida a realidade
Em toda oportunidade
É preciso saber ler.

A leitura é a medida
Mais aplicável, mais certa
É uma janela aberta
Aos horizontes da vida
É a principal saída
Para o campo do saber
Onde se deve aprender
Da existência o primor
Para a vida ter valor
É preciso saber ler.

Quem não lê é como quem
Tem na vista miopia
Não enxerga bem de dia
De noite vê mal também
Não entende muito bem
Da ciência e do saber
Nada consegue escrever
Com os livros não convive
No mundo que a gente vive
É preciso saber ler.

Nesta pós-modernidade
Em que estamos vivendo
Tudo se desenvolvendo
Em qualquer localidade
É uma necessidade
Se adquirir mais saber
Para mais fácil entender
Que o estudo é compromisso
Diante de tudo isso
É preciso saber ler.

Para saber Matemática
Geografia e História
Para guardar na memória
Boas noções de Gramática
Para colocar em prática
Tudo que se aprender
Para comprar ou vender
Ser gandula, entregar feira
Ser babá ou faxineira
É preciso saber ler.´

Autor: Zé Bezerra

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

PARA DEFENDER A VIDA

Um grande poeta diz
Numa canção, que viver
É sorrir, cantar, sem ter
Vergonha de ser feliz
Sendo um eterno aprendiz
Da jornada percorrida
A lição bem aprendida
Torna o homem disponível
A fazer o que é possível
Para defender a vida.

A vida é grande presente
De Deus à humanidade
É dom, é propriedade
De cada um ser vivente
O Criador sabiamente
Vendo a obra concluída
Deu ao homem em seguida
Inteligência e razões
Com todas as condições
Para defender a vida.

Mas o Pai da Providência
Logo cedo percebeu
Na terra, o gerente seu
Agindo sem competência
Com tamanha incoerência
E a mente destorcida
Caim tornou-se homicida
Foi um desastre completo
Que abalou o projeto
Para defender a vida.

Hoje são muitos humanos
Com instintos egoístas
São individualistas
De pensamentos insanos
Seus irreparáveis danos
Quase ao planeta liquida
Com a flora destruída
E a fauna em extinção
É difícil a solução
Para defender a vida.

Tantas práticas malfadadas
Com falhos objetivos
Deixam muitos seres vivos
Vítimas aterrorizadas
As vidas ameaçadas
Tentam encontrar saída
A natureza agredida
Ataca aos que lhe infernizam
Só poucos se organizam
Para defender a vida.

Só a vida queira bem
Não lhe cause desconforto
Seja contra o aborto
E a eutanásia também
Nunca discrimine quem
Já tem a vida sofrida
Não negue água e comida
Reparta o que tiver
Faça tudo o que puder
Para defender a vida.

Autor: Zé Bezerra

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

MAL INCURÁVEL

O Senado ultimamente
É lugar de rebuliço
Ali diuturnamente
A imprensa tem serviço
Há uma onda devassa
E a cada hora que passa
Aparece informação
Numa manchete estampada
De gente contaminada
Do vírus da corrupção.

Diversos casos se somam
A gatunagem é medonha
Lá há muitos que não tomam
O remédio da vergonha
Por isso que essa gente
Age desonestamente
Indignando a nação
Com um mal que se eterniza
Porque não se imuniza
Do vírus da corrupção.

Verdadeira agiotagem
Existe nos bastidores
Vagueia a picaretagem
Lá entre os senadores
Os atores da rapina
Vão fazendo em surdina
Qualquer negociação
Porque são acobertados
Pelos que não são curados
Do vírus da corrupção.

No Senado Federal
O clima está pesado
Muita coisa cheira mal
É roubo pra todo lado
As CPIs instaladas
São falácias orquestradas
Para enganar a nação
Lá a ética é sufocada
Por tanta gente infectada
Do vírus da corrupção.

O que causa mais impasse
Em nossa sociedade
É ver-se o ladrão de classe
Em total impunidade
Por que é que a justiça
Tantas vezes fica omissa
Sem decretar a prisão
Dos mega-violadores
Os maiores portadores
Do vírus da corrupção.

Com um trem descarrilhado
O Senado mais parece
Fica o povo envergonhado
Com tudo o que acontece
Alguns doentes de lá
Para esses já não há
Nenhuma medicação
Que até hoje a medicina
Não descobriu a vacina
Do vírus da corrupção.

Autor: Zé Bezerra

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

SÃO JOÃO SÓ PRESTA NA ROÇA

Festa tradicional
De maior empolgação
É a festa de São João
Feita na zona rural
Se reúne o pessoal
Ali ninguém se alvoroça
Todos dizem: - A festa é nossa
E a alegria é completa
Por isso, afirma o poeta
São João só presta na roça.

É um São João diferente
Dos que fazem na cidade
Tem brincadeira à vontade
Alegrando a toda gente
O sertanejo contente
Logo depois que almoça
Corta lenha fina e grossa
Bem animado e feliz
Acende a fogueira e diz
São João só presta na roça.

No santo o povo tem fé
Festejando a noite inteira
Em toda casa há fogueira
Foguetão e buscapé
Mais tarde há arrasta-pé
No pavilhão da palhoça
Sanfoneiro da mão grossa
Toca um repertório novo
Para a alegria do povo
São João só presta na roça.

Na noite, a cada minuto
A lua no alto brilha
Logo antes da quadrilha
Tem casamento matuto
O noivo se faz de bruto
A noiva se alvoroça
De cima duma carroça
A mãe da noiva gasguita
Estufando o peito grita
São João só presta na roça.

A moça faz simpatia
Para saber com quem casa
Tem milho assado na brasa
Tem canjica quente e fria
Milho cozido em bacia
Pamonha na palha grossa
Se chover, a água empoça
Mas não para o forrozão
Para o povo do sertão
São João só presta na roça.

A festança é animada
Sem ritmo modernizado
Sem guitarra, sem teclado
Sem quadrilha estilizada
É mantida, é conservada
A pura cultura nossa
Pra que o sertanejo possa
Se orgulhar de sua festa
Em outro canto não presta
São João só presta na roça.


Autor: Zé Bezerra

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

OS SANTOS DOS ARRAIAIS

Antônio é Casamenteiro
Pedro é o Pescador
João, Profeta da Justiça
Primo de Nosso Senhor
São personagens divinas
Santos das festas juninas
Muito tradicionais
Na cidade e no sertão
Antônio, Pedro e João
Os santos dos arraiais.

Na crendice popular
Tonho casa, João batiza
Mas para entrar no céu
O Pedro é quem autoriza
Por terem essas funções
Para o povo eles são bons
São aplaudidos de mais
Nas festanças do povão
Antônio, Pedro e João
Os santos dos arraiais.


Dentre os canonizados
Venerados nos altares
Antônio, Pedro e João
São mesmo os mais populares
No aspecto cultural
Folclórico e regional
Eles são especiais
Campeões da tradição
Antônio, Pedro e João
Os santos dos arraiais.


Pra muitos eles são tidos
Como os santos mais famosos
Os seus festejos profanos
Superam os religiosos
Os pavilhões com bandeiras
Arrasta-pés e fogueiras
Os trios regionais
Fazendo a animação
Antônio, Pedro e João
Os santos dos arraiais.


Cantadores repentistas
Cantam motes e sextilhas
Os casamentos matutos
Antecipando as quadrilhas
Os forrós de pé de serra
Cultura pura da terra
Nas fazendolas rurais
Tem a maior atração
Antônio, Pedro e João
Os santos dos arraiais.


Enfim, de todos os santos
Os mais queridos são eles
Se tiver santo invejoso
Vai ficar com raiva deles
O Antônio é carismático
O João além de simpático
É mensageiro da paz
Pedro é do céu, guardião
Antônio, Pedro e João
Os santos dos arraiais.



Autor: Zé Bezerra

Sábado, 13 de Junho de 2009

UM SANTO APOSENTADO

Santo Antônio é festejado
Por este país inteiro
De muitas comunidades
Ele é o padroeiro
E na crendice do povo
É Santo casamenteiro.

Mas como a modernidade
Penetra em qualquer lugar
Santo Antônio está ficando
Esquecido no altar
Que essa gente moderna
Não usa mais se casar.

Foi-se o tempo em que a moça
Ou algum rapaz idôneo
Faziam promessa ao Santo
A fim de um matrimônio
Hoje não precisam mais
Incomodar Santo Antônio.

Naquela época passada
Do vovô e da vovó
A moça com vinte anos
Se ainda estava só
Se aperriava pensando
Em ficar no caritó.

Do mesmo jeito o rapaz
Cheio de intenções boas
Não casando logo era
Tachado pelas pessoas
Eles eram "vitalinos"
E elas eram "coroas".

Para se livrarem disso
Preces ao Santo faziam
Se ele atendia a todos
Noivos e noivas surgiam
E as festas de casamento
Com frequência aconteciam.

E com isso Santo Antônio
Era muito elogiado
Depois da graça, as promessas
Eram pagas com cuidado
Que quem suplicava a ele
Jamais ficava encalhado.

Hoje tudo é diferente
Pragmático e definido
Tanto faz para as mulheres
Ter ou não ter um marido
Pedir noivo a Santo Antônio
Isso não faz mais sentido.

Levou o tempo moderno
Essa crença ao além
Santo Antônio aposentou-se
Está calmo e muito bem
Ninguém mais o perturbou
Nunca mais ele arranjou
Casamento pra ninguém.

Autor: Zé Bezerra